APRESENTAÇÃO

 

     O Centro de Documentação do Pensamento Brasileiro (CDPB), foi criado em Salvador, a 2 de abril de 1982. Seu patrimônio inicial era constituído pela minha biblioteca especializada em autores brasileiros e hoje conta com mais de 13 mil volumes, além de preciosas coleções de periódicos. Tendo em vista que alguns setores de nossa cultura achavam-se relativamente preservados, optamos por circunscrever nossas coleções às obras de filosofia, pensamento político, sociologia e antropologia.
     Ao tomar essa iniciativa, levei em conta que, nas minhas pesquisas relacionadas à filosofia brasileira esbarrei com nomes de autores cuja obra desaparecera completamente. O trabalho de reconstituição efetivado por Silvio Romero (1851/1914) tampouco se preservou, desaparecendo muitos textos que tivera em mãos. Talvez o caminho devesse consistir na organização de uma instituição. Daí nasceu o CDPB.
     A sua localização em Salvador prende-se naturalmente à minha condição de baiano, de que tenho muito orgulho, mas sobretudo ao entusiasmo  que a idéia provocou em Manoel Castro. Ambos soubemos interessar a pessoas representativas da cultura local como Dinorah Berbert de Castro, Francisco Pinheiro, Eduardo Saphira, Elyana Barbosa e Victor Gradin. Além do apoio oficial com que temos contado, fomos acolhidos pela Fundação Clemente Mariani e hoje Maria Clara Mariani participa de nosso Conselho Deliberativo. Convidamos para integrá-lo conhecidos pesquisadores de outros estados, como Ricardo Vélez Rodriguez, Aquiles Guimarães, Celina Junqueira e Francisco Martins de Souza, no Rio de Janeiro; Selvino Malfatti e Urbano Zilles, no Rio Grande do Sul; Constança Marcondes Cesar, Leonardo Prota e o saudoso Geraldo Pinheiro Machado (1918/1985), em São Paulo; Jackson da Silva Lima, em Sergipe; João Alfredo de Sousa Montenegro e outra personalidade querida que também já nos deixou, Francisco de Alcântara Nogueira (1918/1989), no Ceará.
     Entendemos que o Centro de Documentação do Pensamento Brasileiro deveria, sobretudo, prestar serviços aos pesquisadores das disciplinas de seu interesse. Com esse propósito concebemos e temos publicado Bibliografias e Estudos Críticos, de pensadores renomados; bibliografias especializadas e índices de publicações periódicas.
     Nosso grande projeto, contudo, consiste neste Dicionário Biobibliográfico, de autores de obras de filosofia, pensamento político, sociologia e antropologia. Temos trabalhado na sua confecção desde a fundação. Conseguimos coroá-lo de êxito graças ao apoio da Empresa de Turismo da Bahia - BAHIATURSA, da Secretaria da Cultura e Turismo do Estado da Bahia, do Senador Lúcio Alcântara , que acumula as presidências do Instituto Teotônio Vilela (do PSDB) e do Conselho Editorial do Senado, e a enorme dedicação de nossas colaboradoras Marta Sueli Dias Santos e Iara Carmen Moraes de Albuquerque. Ninguém imagina o brutal atraso em que nos encontramos em matéria de inventariação bibliográfica. Omitem-se detalhes essenciais e quase nunca são observadas as regras que devem presidir a esse tipo de catalogação. De modo que, se não fora a paciência e a persistência das duas bibliotecárias, dificilmente teríamos concluído o trabalho. Foi também muito valiosa a colaboração de Adonai Faneca Santos, na digitação.
     Na seleção dos autores a figurar no Dicionário, no que toca ao passado há certamente amplo consenso e não tivemos maior dificuldade. Alguns nomes deixaram de figurar por nos ter sido impossível obter informações essenciais (datas de nascimento e falecimento, por exemplo) ou por ter-nos parecido que estariam melhor situados como historiadores. Nesse particular, o Instituto Histórico publicou o correspondente Dicionário Biobibliográfico (coordenado por Vicente Tapajós, em seis volumes, aparecidos entre 1991 e 1998), inexistindo portanto lacuna na matéria.     
     No tocante ao período contemporâneo, adotamos o critério consagrado por Sacramento Blake, estabelecendo que somente figurariam autores com pelo menos três livros publicados. Nesta seleção contamos com a valiosa colaboração de Wanderley Guilherme dos Santos, Luís De Boni, Aquiles Cortes Guimarães e Vamireh Chacon, para mencionar apenas os que intercederam junto aos cursos de pós-graduação no sentido de termos acesso aos correspondentes currículos. Mas, de um modo geral, incomodei e dei atribuições a diversos dos meus amigos, para dirimir pequenas dúvidas e obter referências bibliográficas consideradas relevantes. A todos o mais penhorado agradecimento.
     Quanto ao tom dos verbetes e a inevitável avaliação que era necessário empreender, assumo inteira responsabilidade.
     Espero que este Dicionário venha a ser sucessivamente aperfeiçoado e, sobretudo, que dê ensejo à organização de Catálogos Coletivos.

 

     Rio de Janeiro, novembro de 1998.

 

                   Antonio Paim