LEITURA BÁSICA

 

O empreendimento açucareiro no Brasil colonial

A questão dos ciclos econômicos, nos primeiros quatro séculos de existência do Brasil, foi focalizada de diversos pontos de vista.

No que se refere especificamente à ocupação do território --e sustentação das áreas recém incorporadas--, notadamente pelos estudos que nos foram legados por Capistrano de Abreu (1853/1927), parece imprescindível distinguir as regiões do país. Capistrano demonstrou que as incursões dos bandeirantes lograram superar as características litorâneas da nossa distribuição populacional --isto é, interiorizando-a --devido ao encontro de uma atividade que as tornariam sedentárias: a pecuária. Estaria aí a raiz da diferenciação entre Litoral e Sertão.

No início do pós-guerra, na busca de política de desenvolvimento para o Nordeste, as atenções voltaram-se para o presumível caráter concentrador de renda do engenho de açúcar --acentuado pelo surgimento das usinas-- em confronto com a propensão para fomentar serviços autônomos revelada pela cafeicultura, o que explicaria os desníveis dos estados nordestinos confrontando-os a São Paulo.

Nosso propósito difere-se substancialmente dos precedentes. Consiste em  reconstituir a evolução temporal do ciclo do açúcar a fim de fixar duas coisas: lª) a evidência do declínio experimentado por aquela atividade na primeira metade do século XVIII; e, 2ª) a revisita à obra de estudiosos que, no passado, haviam atribuído aquele declínio à Inquisição, tendo em vista os novos estudos que a ação inquisitorial vem de merecer.
A reconstituição dos ciclos econômicos, a fim de  quantifica-los, seria devida a Mireca Buescu, nos diversos ensaios incluídos na obra Exercícios de história econômica do Brasil (Rio de Janeiro: APEC, 1968) e na História do Desenvolvimento Econômico do Brasil (Rio de Janeiro: A Casa do Livro, 1969). Adverte desde logo que não se trata apenas de instrumento metodológico (a divisão em ciclos econômicos), correspondendo a uma realidade profunda.

No que respeita aos três primeiros séculos, fixou estes ciclos e as datas aproximativas em que poderiam ser situados:
  
         1503-1550 -pau-brasil (continuando bastante forte até fins do século XVI, caindo verticalmente, desde então, mas perdurando até o século XIX)
         1550-1650 –açúcar (continuando depois, com um ressurgimento na segunda metade  do século XVIII)

Análise mais circunstanciada encontra-se na obra do sistematizador do conhecimento histórico sobre o tema : Edmund O. Von Lippman, autor de História do açúcar (1929), publicada originalmente na Alemanha, traduzida ao português em 1942 (Rio de Janeiro: Instituto do Açúcar e do Álcool, em dois volumes).

Caberia a Omer Mont´Alegre (1913/1989) proceder à reconstituição histórica definitiva (Açúcar e capital. Rio de Janeiro: Instituto do Açúcar e do Álcool, 1974). Esse estudo separa os engenhos que tinham características industriais da produção artesanal. Além disto, situa com maior precisão, na primeira metade do século XVIII, o desbaratamento daquela atividade, atribuindo-o à Inquisição. Registra que, na época, essa situação fora denunciada por eminente personalidade do período, d. Luís da Cunha.

Os estudos recentes que colocam uma nova luz sobre a ação inquisitorial no mencionado período são devidos a Francisco Bethencourt e Anita Novinski.
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